Gonzaguinha, o pão, Xangô e uma festa de aniversário no primeiro dia de Carnaval na Sapucaí

Laíla, em sua casa: Tijuca volta ao grupo das favoritas. Foto de Mauro Samagaio (divulgação)
Laíla, em sua casa: Tijuca volta ao grupo das favoritas. Foto de Mauro Samagaio (divulgação)

O Império Serrano dá a partida, com sua luta pela sobrevivência na primeira divisão do Carnaval, na maratona das grandes escolas de samba do Rio em 2019, a partir de 21h15 deste domingo (3), na Sapucaí. Com o enredo “O que é, o que é”, a partir da música de Gonzaguinha – escolhida também como samba-enredo –, a verde e branco da Serrinha celebrará as crianças em seu desfile.

Promovida ano passado ao Grupo Especial, a Viradouro pisa o altar dos bambas em seguida, com projeto ambicioso: um lugar no Sábado das Campeãs. “Viraviradouro”, criação do badalado carnavalesco Paulo Barros, trata de viradas e renascimentos – inclusive o da própria escola de Niterói.

A Grande Rio, terceira a desfilar, sobreviveu na elite da folia graças a nova virada de mesa da Liesa. A transgressão abre o enredo “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra”, libelo pela ética e a educação, com alertas para a poluição ambiental, a falta de ética no trânsito e o bate-boca virulento das redes sociais. Alerta: preste atenção no incrível trabalho do carnavalesco Renato Lage nas alegorias.

“Xangô” – simples e perfeito assim é o enredo do Salgueiro para 2019. A vermelho e branco tijucana canta seu orixá de devoção no ritmo do melhor samba do ano, e com a volta do puxador Quinho, personagem da escola. Olho no casal de mestre-sala e porta-bandeira, Sidclei e Marcella, dos melhores da festa inteira.

Quinta a desfilar, a Deusa da Passarela vai à luta pelo bicampeonato festejando a si mesma. “Quem não viu vai ver… As fábulas do Beija-Flor” reverencia os 70 anos da escola, homenageando suas grandes personalidades e lembrando os enredos mais marcantes dessa estrada virtuosa.

Renato e Márcia Lage: casal multicampeão a serviço da Grande Rio. Foto: reprodução
Renato e Márcia Lage: casal multicampeão a serviço da Grande Rio. Foto: reprodução

Em seguida, a Imperatriz Leopoldinense busca o reencontro com seus grandes momentos em “Me dá um dinheiro aí!”, enredo que conjuga humor e crítica, ao falar da relação dos humanos com a cobiça e a riqueza. Aventura da verde e branco de Ramos por um estilo diferente dos temas densos e históricos que ela se acostumou a apresentar.

O primeiro dia termina com a renascida Unidos da Tijuca e seu Carnaval sobre o pão. “Cada macaco no seu galho. Ó, meu pai, me dê o pão que eu não morro de fome” trata do alimento numa perspectiva religiosa, mas termina também com crítica política. O desfile marca a reestreia de Laíla, mítico diretor de Carnaval, na escola, após décadas – e uma pilha de títulos – na Beija-Flor.