Marielle, a Princesa Isabel em duas versões e Clara Nunes numa noite de muita crítica na Sapucaí

Marielle Franco: homenagem no desfile da Mangueira. Foto de divulgação (PSOL)

Um carro inacabado – referência aos terríveis percalços orçamentários das escolas – e uma explícita menção à virada de mesa do ano passado marcam o desfile da São Clemente, na abertura do segundo dia da maratona na Passarela. A escola de Botafogo ressuscita “E o samba sambou”, enredo crítico que ela mesma criou, em 1990, e segue completamente atual.

A briga pelo título esquenta com a segunda a desfilar. A Vila Isabel celebra Petrópolis com “Em nome do pai, do filho e dos santos, a Vila canta a cidade de Pedro”, trabalho luxuoso do carnavalesco Edson Pereira. Com a Princesa Isabel como protagonista, a escola terá os carros mais bem-acabados de 2019.

Outra candidata ao primeiro lugar, a Portela promete doses generosas de emoção, ao finalmente cantar uma de suas grandes musas. “Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma sabiá” festejará Clara Nunes. A azul de branco de Madureira e Oswaldo Cruz pisará a avenida com força e emoção, buscando seu 23º título.

Quarta a desfilar, a União da Ilha briga contra o rebaixamento na toada da poesia. “A peleja poética entre Rachel e Alencar no avarandado do céu”, de Severo Luzardo, junta dois luminares cearenses, num desfile cheio de referências regionais irresistível – além do sempre incrível Ito Melodia incendiando a escola com seu canto vigoroso.

A crítica política chega com força na quinta escola, a Paraíso do Tuiuti. “O salvador da pátria” conta a história (real) de um bode que, numa piada coletiva, foi maciçamente votado para vereador em Fortaleza. O carnavalesco Jack Vasconcelos parte da eleição para bater doído nos políticos e juízes. Tudo no ritmo de um dos melhores sambas do ano, assinado, entre outros, pelo bamba Moacyr Luz.

Clara Nunes: Portela finalmente realiza o enredo sonhado por seus componentes. Foto de arquivo
Clara Nunes: Portela afinal realiza o enredo sonhado pelos componentes. Foto de arquivo

A Mangueira entra em seguida aprofundando a crítica, com “História para ninar gente grande”. O carnavalesco Leandro Vieira, artista mais importante da festa, reúne passagens e personagens invisibilizados nos livros oficiais, além de atacar figuras como a Princesa Isabel e o Padre José de Anchieta. Haverá ainda homenagem a esperada homenagem a Marielle Franco, citada no samba, um dos melhores do ano.

A Mocidade Independente fecha a folia com “Eu sou o tempo. O tempo é vida”, proposta do multicampeão Alexandre Louzada. Atenção para o abre-alas que terá a presença de Elza Soares, já anunciada como enredo da verde e branco em 2020.